Pesquisa irá mapear avanços e desafios da Educação Integral em Minas Gerais
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Pesquisa irá mapear avanços e desafios da Educação Integral em Minas Gerais

    Realizada em parceria com a Unesco, diagnóstico vai embasar ampliação do atendimento na rede estadual

     Identificar os principais avanços e fazer uma análise in loco do processo de implementação da Educação Integral e Integrada no estado. Esse é o objetivo da pesquisa que a Secretaria de Estado de Educação (SEE) está realizando neste mês de setembro, em parceria com a Unesco, em instituições da rede estadual que ofertam a formação integral de crianças, jovens e adolescentes.

    Inicialmente foram escolhidas três Escolas Polo de Educação Múltipla (Polem), localizadas em Belo Horizonte, para aplicar a pesquisa e testar a metodologia: as escolas estaduais Silviano Brandão, Professor Hilton Rocha e Governador Milton Campos (Estadual Central). Essas escolas foram selecionadas por apresentarem diversidade na oferta do ensino e nos projetos e programas.

    A metodologia da pesquisa, desenvolvida por consultores da Unesco, com o acompanhamento dos mediadores da SEE e Superintendências Regionais de Ensino, é composta de análise documental das atividades pedagógicas das escolas, preenchimento de questionário de percepção, entrevista em profundidade com diretores e coordenadores e, por fim, rodas de conversa com os estudantes, pais e professores.

    “Viemos pesquisar e identificar as dificuldades e experiências exitosas dentro deste contexto de educação integral, e fornecer à SEE elementos para a ampliação da oferta da educação integral no estado. A partir disso, vamos analisar a metodologia e formar equipes multiplicadoras para aplicar a pesquisa nos 17 territórios de desenvolvimento”, explica a consultora da Unesco no Acordo de Cooperação Técnica, Elizete Munhoz Ribeiro.

    Ao final da aplicação desta pesquisa diagnóstica, o Governo de Minas Gerais terá um mapa mais abrangente do estado e um documento fundamentado e completo para a expansão que pretende dar à educação integral.

    Uma das novidades na Política de Educação Integral e Integrada em Minas Gerais foi o início das atividades do Ensino Médio em Tempo Integral no mês de agosto, modalidade ofertada também nas três escolas selecionadas para aplicação da pesquisa.

    A iniciativa, inédita no estado, já dentro da proposta de reforma do ensino médio do Governo Federal, está beneficiando inicialmente 9.640 alunos do 1º ano do ensino médio, em 44 escolas Polem selecionadas pelo Programa de Fomento à Educação em Tempo Integral do Ministério da Educação.

   Também em agosto de 2017 o governador Fernando Pimentel assinou o Decreto 47.227, que garante a implantação gradativa da Educação Integral e Integrada na rede pública de ensino do Estado.

    Para a superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio da SEE, Cecília Resende, agora é preciso escutar os alunos, pais e educadores para se construir uma gestão coletiva.

    “A ideia de se fazer uma roda de conversa é para ouvir os sujeitos que estão sendo atendidos pela política e, principalmente, saber o que eles estão precisando. Também é preciso entender qual é a concepção que eles trazem sobre educação integral e integrada, gestão democrática e participativa e sobre a apropriação da comunidade como território educativo”, comenta Cecília.

    A proposta pedagógica do Ensino Médio em Tempo Integral tem por base a ampliação da jornada escolar – com 9 horários diários, que representam 45 horas-aula semanais – e a formação dos estudantes, tanto nos aspectos cognitivos quanto nos socioemocionais.

     O currículo é constituído de duas partes – formação básica, que compreende as temáticas de cada área do conhecimento indicadas na Base Nacional Comum Curricular; e flexível, que é composta por campos de integração, que devem proporcionar ao jovem a interlocução entre as áreas de conhecimento da Base Comum, os conhecimentos científicos, suas experiências pessoais e outras atividades que enriqueçam a sua formação e atuação/intervenção na sociedade.

    O coordenador do Ensino Médio em Tempo Integral da Escola Estadual Professor Hilton Rocha, Paulo Carvalho, conta que a modalidade movimentou toda a escola e faz um balanço positivo do primeiro mês de atividades.

     “Estamos fazendo um trabalho pedagógico intenso de formação com os professores, e isso está mudando, inclusive, a prática dos docentes que não estão diretamente trabalhando com as turmas de educação integral. Ainda temos algumas dificuldades na questão de infraestrutura e materiais, mas este momento de escuta se faz extremamente importante para expandir essa concepção de educação integral e integrada em toda a escola”, afirma Carvalho.

    Dentro dessa nova concepção de oferecer múltiplas ações e projetos, a Escola Estadual Professor Hilton Rocha tem no novo currículo do Ensino Médio em Tempo Integral o curso profissionalizante de Marketing.

    No currículo flexível da unidade, são oferecidas aulas de dança contemporânea, conversação em língua estrangeira, sustentabilidade, pesquisa e oficinas de prática em rádio. Ainda neste semestre serão ofertadas as disciplinas de robótica e fotografia.

     Outra novidade na instituição foi o início das atividades do programa Meu Primeiro Negócio, iniciativa da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), em parceria com a SEE, que promove a cultura empreendedora entre alunos do ensino médio de escolas estaduais, por meio da organização e operacionalização de empresas estudantis. A iniciativa irá beneficiar mais de 20 mil alunos mineiros de 120 escolas estaduais só no segundo semestre de 2017.

    Os alunos do Ensino Médio em Tempo Integral da Hilton Rocha, de forma geral, aprovam as atividades na escola. “Fiz um curso de dois meses de marketing em outra instituição e agora tenho a oportunidade de participar de um curso de Educação Profissional na minha escola. Estou gostando bastante, além de sair daqui com um certificado e mais preparado para o mercado de trabalho”, comenta o estudante Gabriel Salomão.

      Para a estudante Raquel Julia, as disciplinas do currículo flexível estão colaborando muito para ela aprender novos conteúdos e ajudando em matérias que antes os alunos apresentavam mais dificuldades.

     “Com o aumento das aulas, como a de Português e Língua Estrangeira, estamos com mais facilidade de aprender alguns conteúdos. Isso nos deixa mais preparados para o que iremos enfrentar no futuro”, afirma Raquel.

      Durante o processo de construção do currículo do Ensino Médio em Tempo Integral, além dos estudantes e professores, os pais dos alunos também foram consultados sobre a implantação da modalidade, e agora foram ouvidos na pesquisa diagnóstica.

     Tatiana Correia, que concluiu o ensino médio na escola e hoje acompanha as atividades da filha, avalia que a educação integral é muito importante para os estudantes aprenderem mais.

     “Eu gostei muito da proposta, é uma ótima perspectiva de futuro e crescimento dos alunos. O aumento do tempo foi melhor para os filhos aprenderem e adquirir mais conhecimento, além da formação profissional e de se tornarem mais responsáveis”, analisa Tatiana.

    Além da oferta do Ensino Médio em Tempo Integral, o programa de Educação Integral e Integrada em Minas Gerais oferece atividades em mais de 2.000 escolas da rede, atendendo cerca de 150 mil estudantes. A proposta do Governo do Estado é ampliar este atendimento para 300 mil no ano que vem.

      Construção coletiva

     A última etapa do estudante em sua trajetória escolar na Educação Básica é o ensino médio, que deverá passar por muitas transformações, desde que o Governo Federal publicou uma medida provisória implementando a reforma na estrutura do seu sistema.

     Em Minas Gerais, para a implementação das mudanças curriculares e estruturais do Ensino Médio em Tempo Integral, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) optou pelo lado da escuta e do diálogo, em um processo de construção coletiva com os estudantes, pais, professores e especialistas.

     Desde o início do processo, os jovens foram ouvidos sobre o que gostariam de estudar, os campos que desejariam investir e como queriam aprofundar o conteúdo da matriz curricular.

     Antes da implementação, a SEE realizou uma consulta com os mais de 9.000 estudantes do 1º ano do ensino médio das 44 escolas estaduais que inicialmente estão ofertando a modalidade.

   A proposta pedagógica da SEE foi alicerçada nos princípios da inclusão, da equidade, do direito à aprendizagem e do protagonismo juvenil, estabelecendo os campos de integração “Cultura, Artes e Cidadania”; “Múltiplas Linguagens, Comunicação e Novas Mídias”; e “Pesquisa e Inovação Tecnológica” que, juntos, correspondem a 22% do currículo do Ensino Médio em Tempo Integral.

  Durante a análise dos questionários, alguns pontos surpreenderam e ajudaram as instituições de ensino a apontar caminhos, com destaque para os desejos dos alunos em aumentarem a Educação Física, além das aulas de Química e Física.

    Agencia Estado / Foto Eric Abreu/SEE

 

 
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